Mapeamento dos Agukabuk dos territórios Munduruku tradicionais do sul da Amazônia brasileira

BY Jair Boro Munduruku, POSTED IN All Projects, Amazon

Como parte do meu projeto de estudo independente, financiado pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e pelo Programa de Bolsas para Indígenas Americanos da Sociedade Arqueológica Americana (SAA), retornei à região do rio Tropas, minha casa, em 2016.

O objetivo desta viagem era realizar um mapeamento inicial de uma área que até então era desconhecida pela arqueologia. 

O rio Tropas é um afluente do alto rio Tapajós e marca o limite entre as terras oficialmente reconhecidas como Munduruku e uma área federal de conservação conhecida como Floresta Nacional do Crepori. No entanto, apesar dessa delimitação oficial, o povo Munduruku considera que a Floresta Nacional do Crepori faz parte do seu território de ocupação tradicional. Embora atualmente existam apenas duas aldeias habitadas na Floresta do Crepori, a área ainda é utilizada para atividades de caçacolheita e cultivo, além de que podem ser encontradas várias aldeias Munduruku abandonadas. 

Ground stone axe heads by Jair Boro Munduruku

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Durante os doze dias que o trabalho durou, pude encontrar onze sítios arqueológicos. Também entrevistei os avós Munduruku, que me deram informações sobre a história do povo Munduruku, bem como sobre os mitos, territórios e cultura material que não fazem mais parte das práticas diárias nas aldeias. Eles me mostraram alguns locais sagrados na área, assim como a destruição que tem sido causada pela mineração ilegal de ouro. Finalmente, pude também registrar elementos de interesse etno-arqueológico, documentando aspectos da vida cotidiana dos Munduruku da atualidade, em que são incorporados objetos da produção industrial e da produção artesanal. 

A próxima etapa do projeto, financiada pelo Centro de Santo Domingo (SDCELAR), consiste em retornar ao alto rio Tapajós nos próximos meses para explorar melhor alguns elementos do tipo arqueológico. Além disso, apresentarei os resultados do meu mapeamento aos líderes das aldeias que visitei em 2016 e continuarei com meu trabalho de pesquisa entrevistando os avós e documentando outros agukabuk no território Munduruku. Este trabalho inclui o registro dos locais arqueológicos usando navegação por satélite (GPS) e um registro fotográfico de pessoas, plantas, objetos e paisagens de interesse para o projeto. Da mesma forma, espero fazer descrições e desenhos das aldeias Munduruku contemporâneas que estão construídas em cima dos sítios arqueológicos, bem como dos jardins e caminhos que marcam as rotas para o rio e para a floresta.